Esclarecimentos sobre Teníase e a Cisticercose

   

Esclarecimentos sobre Teníase e a Cisticercose 

Caras e Caros Leitores, minhas sinceras saudações. Mais uma vez estamos aqui no intuito de repassar informações e de esclarecer, vocês leitores, sobre os mais diversos assuntos. Hoje vamos falar de uma forma muito simples sobre a Teníase e a Cisticercose. Interessante o tema, não? Muito importante estarmos bem informados para podermos desmistificar mais esse errôneo mito de que a carne suína é transmissora de doenças parasitárias. Então vamos lá! O conceito errôneo de que a cisticercose é transmitida ao homem pelo consumo de carnes contaminadas, de suíno ou bovino, deve-se à falta de conhecimento e de esclarecimento sobre o ciclo de vida deste parasita. Para entender corretamente esta enfermidade, vamos expor a seguir o seu ciclo de vida, diferenciando o que é TENÍASE do que é CISTICERCOSE.

A TENÍASE é a doença causada por um parasita chamado de Taenia Solium no caso dos suínos, e Taenia Saginata no caso dos bovinos.  As taenias precisam de dois hospedeiros para completar o seu ciclo evolutivo. Um é o Homem, que é o único hospedeiro definitivo da taenia (único a possuir a fase adulta do verme). O outro hospedeiro, chamado de intermediário, pois nele só ocorre a fase larvar (cisticerco), podem ser os suínos, bovinos, carneiros, etc. Ao comer carne crua ou malpassada, dos suínos ou bovinos, que contenha as larvas das taenia (cisticercos), o homem passa a desenvolver a doença chamada Teníase também conhecida por “solitária”, porque geralmente é causada por uma taenia só. A teníase é uma doença que muitas vezes passa desapercebida, mas em alguns casos pode haver vômitos, mal-estar gástrico e gases, que são sintomas comuns a outras enfermidades. Três meses após a ingestão do cisticerco, a taenia já localizada no Intestino Delgado do homem, começa a soltar anéis de seu corpo, com ovos. Geralmente, elimina de 5 a 6 anéis por semana, sendo que, cada anel contém de 40 a 80 mil ovos. Os anéis podem sair com as fezes, ou se romper ainda dentro do Intestino, liberando os ovos, que são da mesma forma eliminados durante a defecação. No meio ambiente, estes ovos, dependendo da temperatura e umidade, podem continuar vivos por até 300 dias. A taenia pode viver até 8 anos ou mais no intestino do homem, contaminando seguidamente o meio ambiente onde caírem as suas fezes. Se houver esgotos apropriados e condutas de higiene pessoal, o problema praticamente desaparece. Acentua-se, porém, se a defecação for em local inadequado, como por exemplo no campo ou em lugar aberto. As fezes se ressecam com o sol, os ovos ficam mais leves que o pó e são levados pelo vento a grandes distâncias. Dessa forma contamina as pastagens, hortas ou rios e lagoas, cujas águas podem ser utilizadas para beber ou irrigar plantações. Somente a fervura ou cocção acima de 90ºC é capaz de inativar o ovo, que é resistente à maioria dos produtos químicos. O homem com teníase, pode se auto contaminar com os ovos, ao não fazer corretamente a higiene após evacuar e levar as mãos à boca, ou praticando o sexo oral, já que os ovos podem permanecer na região peri anal.

 

https://www.coladaweb.com/biologia/reinos/as-tenias-solitarias-teniase

 

A CISTICERCOSE é uma doença causada no hospedeiro intermediário pelas larvas da taenia. Os suínos, bovinos e o próprio homem, adquirem esta doença ao comer as verduras, frutas, pastagens ou ingerir água, contaminados com ovos da taenia. Depois de ingeridos, os ovos vão para o estômago e o intestino delgado, onde os sucos gástricos e pancreáticos, respectivamente, dissolvem a sua camada superficial, liberando os embriões. Estes, se fixam nas vilosidades intestinais, onde permanecem por 4 dias. A seguir, perfuram a parede intestinal e caem nos vasos sangüíneos, sendo distribuídos pelo corpo todo. A grande maioria fixa-se no cérebro, causando a chamada Neurocisticercose. É a forma mais grave, pois causa crises convulsivas, hipertensão craniana, dores de cabeça, vômitos e hidrocefalia. Outras localizações além do Sistema Nervoso são o coração, olhos e músculos. No homem, as larvas calcificam-se rapidamente e os doentes podem, portanto, restabelecer-se dos sintomas, sem qualquer prejuízo. No suíno, a formação dos cisticercos no músculo é popularmente conhecida como “canjiquinha”, que algumas pessoas acreditam de forma errônea ser uma “virtude” da carne, por ser mais macia. Mais um mito errôneo sobre a carne suína! Ao comer estas carnes, se elas não forem devidamente cozidas, o homem irá ingerir os cisticercos (larvas), que irão evoluir em seu intestino até a fase adulta, causando a teníase, completando assim o ciclo desse verme.

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Pela descrição do ciclo de vida deste parasita, podemos concluir:

  • O suíno não causa a cisticercose no homem
  • O homem causa a cisticercose no suíno.
  • O suíno não é fonte de transmissão. Apenas participa do ciclo da doença que lhe é transmitida pelo homem, abrigando a fase larvar da taenia (cisticerco).
  • O homem adquire a Cisticercose ao ingerir frutas, verduras ou água contaminadas com fezes de pessoas portadoras de taenias.
  • O homem adquire a Taenia ao ingerir carne malcozida de bovinos ou suínos com cisticercose. Em nenhuma hipótese ele terá cisticercose ao ingerir esta carne.
  • O homem é o hospedeiro definitivo, pois possui a fase adulta da Taenia.
  • O suíno e o bovino são hospedeiros intermediários, pois possuem a fase larvar da taenia (cisticerco) e não o verme adulto (taenia).
  • O homem contamina o meio ambiente (pastagens, verduras, águas, etc.) através de suas fezes, liberando os ovos do parasita.
  • Se não houver pessoas com solitária (teníase), não haverá cisticercose nos suínos e bovinos.
  • Como os suínos se contaminam através da ingestão de fezes humanas ou de verduras contaminadas, com o advento da suinocultura moderna, onde os suínos são criados confinados e recebem apenas rações à base de milho e farelo de soja como parte da ração, a possibilidade de transmissão ficou praticamente impossível. A contaminação, porém, permanece alta nos bovinos e ovinos, que necessitam das pastagens, e nos porcos criados soltos em suinoculturas de baixo padrão zootécnico e que geralmente são apenas para subsistência dos seus proprietários.

https://info1maio.blogspot.com.br/2015/08/doencas-causadas-por-vermes.html?m=1

 

Agora já temos conhecimento técnico de que é puro mito e preconceito de que a carne de suíno transmite doença ao ser humano. Vamos então, ser formadores de opinião e difundir a grandiosidade em termos nutricionais e biológicos que a carne suína possui perante a alimentação humana. Assim, o nosso papel passa a ser muito importante na difusão e aumento do consumo de carne suína. Vamos lá, temos muito serviço a fazer. Mãos à obra. Abraços!

Fonte: Roopa (2001).