Suíno X Medicina Humana

   

Suíno X Medicina Humana

Boa tarde meus queridos leitores. Saudações. Hoje falaremos sobre um assunto muito interessante, do qual um grande pesquisador já vem difundindo o tema desde o início dos anos 2000, em suas palestras e cursos, por todo o país. Devemos muito a Dr. Luciano Roppa que difundi e elucida o tema sobre as diversas técnicas de utilização de uma série de substâncias do organismo dos suínos, que vem sendo adotada rotineiramente na medicina humana, na forma de medicamentos, e que já passou pela fase de comprovação científica. Isso mesmo. O suíno não é mais aquele animal que somente nos fornece carne de primeira qualidade nutricional, mas atualmente, o suíno é utilizado também como fonte de medicamentos. Isso só é possível devido a técnica de clonagem de suínos transgênicos, técnica altamente promissora desde o final da década de 90. Os principais medicamentos originados do organismo dos suínos são:

  • INSULINA: O pâncreas dos suínos é um órgão do qual se obtém a insulina, um hormônio essencial para os diabéticos. A insulina é encarregada de permitir a entrada de açúcar nas células e de diminuir a sua taxa no sangue, evitando dessa forma que essa atinja níveis comprometedores para a saúde humana. Atualmente, a insulina também é produzida por engenharia genética, porém a um custo mais elevado;
  • ACTH: Da glândula pituitária do suíno pode-se obter o Hormônio Adrenocorticotrófico - ACTH, que é um hormônio utilizado em medicina humana para o tratamento de artrites e doenças inflamatórias;
  • TIREOIDE: a tireoide do suíno é utilizada para obter medicamentos que serão usados por pessoas que possuem glândulas tireoides pouco ativas;
  • HEPARINA:  A mucosa intestinal dos suínos é usada para a obtenção de uma substância chamada Heparina, que tem propriedades anticoagulantes e é aplicada em medicina humana em cirurgias e nos casos de tromboses;
  • HEMOGLOBINA: Suínos modificados geneticamente podem produzir Hemoglobina Humana, pigmento do sangue que transporta oxigênio às células do corpo. Este produto pode ser estocado por meses, ao contrário do sangue normal, que se conserva apenas por semanas;
  • SURFACTANTE: Do pulmão dos suínos, pode ser retirada uma substância chamada surfactante, que é indispensável ao tratamento de recém-nascidos com a síndrome da imaturidade pulmonar. Sem essa substância, que serve como um lubrificante, os recém-nascidos correm um sério risco de morrer por problemas de asfixia.

Além do suíno ser utilizado como fonte de medicamento, esse também pode ser usado como fonte de órgãos, células e tecidos. Isso só é possível devido ao xenotransplante, que por definição é a denominação dada ao transplante de órgãos, células ou tecidos de uma espécie para outra. Por exemplo: o transplante do coração de um suíno ou de um macaco para o homem. Como existe uma escassez de órgãos humanos, cerca de 60% dos pacientes (https://rafaelocremix.wordpress.com/2010/04/17/o-que-sao-xenotransplantes/) que aguardam um transplante acabam morrendo na lista de espera. Por isso, se fosse possível utilizar órgãos de outras espécies, muitas vidas poderiam ser salvas. Mas existem inúmeros problemas, tais como a rejeição, a transmissão de doenças e o ciclo de vida mais curto dos animais, que ainda impedem tornar essa técnica viável. Para quem trabalha com células-tronco humanas, transplantá-las para um modelo animal - xenotransplante - é um passo fundamental antes de se partir para ensaios clínicos. O uso de xenotransplantes do suíno para o homem começou na década de 90, quando diversas pesquisas foram realizadas com sucesso. Apesar de necessitar ainda de mais investigações científicas, os resultados apresentam esperança para todos aqueles que sofrem de enfermidades até então incuráveis ou intratáveis. Alguns exemplos do suíno como fonte atual de órgãos, células e tecidos são:

  • PELE: a pele dos suínos pode ser usada em transplantes temporários no homem, nos casos de queimaduras de terceiro grau, que causam grandes descontinuidades de sua pele. Ela não serve para transplantes definitivos, devido à sua rejeição, sendo utilizada apenas como transplante temporário;
  • VÁLVULAS CARDÍACAS: O coração dos suínos é usado para fornecer válvulas cardíacas que serão transplantadas para homens e crianças. Os suínos usados para fornecer essas válvulas, pesam de 16 a 25 kg. Estas válvulas são retiradas do coração e conservadas em um preparado químico, podendo ser preservadas por até cinco anos. As válvulas cardíacas do homem podem ser substituídas por válvulas mecânicas feitas com materiais artificiais. As válvulas dos suínos, porém, apresentam vantagens sobre essas mecânicas, pois possuem menor grau de rejeição pelo organismo, têm a mesma estrutura física e possuem maior resistência a infeções;
  • DIABETES: Uma utilidade do pâncreas dos suínos para o homem é a de fornecer ilhotas pancreáticas (ilhotas de Langherans) para implantes em pessoas diabéticas que não as possuem. Estes implantes trouxeram novas esperanças para os diabéticos, pois dessa forma eles poderão ficar livres, no futuro, de injeções diárias de insulina;
  • RECUPERAÇÃO DE IMPULSOS NERVOSOS: Cientistas americanos conseguiram restaurar a transmissão de impulsos nervosos na medula da espinha dorsal danificada de ratos, através do transplante de células de suínos (responsáveis pelos impulsos olfatórios ao cérebro). Esta pesquisa é a mais recente evidencia de que os suínos poderão ser a mais promissora fonte de células para a recuperação de lesões na medula espinal, pois eles estimularam a formação de novas ligações nervosas e alguma produção de nova mielina, substância proveniente de algumas células do cérebro (http://neuroimunologia.com.br/glossary/mielina/) e que rodeia algumas fibras nervosas, fazendo com que tenham uma condução de impulsos nervosos mais rápida (http://www.medicinageriatrica.com.br/2012/05/19/mielina-o-que-e/);
  • TRANSPLANTES DE FÍGADO: Xenotransplantes de fígado de suíno para o homem, já havia sido realizado anteriormente na década de 90, na Itália, quando uma mulher recebeu o primeiro transplante de um fígado artificial, produzido à base de células modificadas de suíno. Com o transplante a paciente conseguiu sobreviver por quatro dias, até que fosse encontrado um fígado humano para o transplante definitivo;
  • MAL DE PARKINSON: Esta doença neurológica crônica afeta a mobilidade das pessoas e é causada pela perda de células produtoras de Dopamina, no cérebro. A implantação de células de embriões de suínos no cérebro de humanos, em estado avançado da doença, apresenta como tentativa o aumento da produção de Dopamina cerebral (http://www.abneuro.org.br/clippings/detalhes/265/doencas-e-neurotransmissores-dopamina-de-parkinson). Em média é registrado uma melhora de até 19% na sua mobilidade, abrindo uma nova esperança no combate desta enfermidade;
  • EPILEPSIA: Pesquisas realizadas com células de fetos de suínos que continham substâncias inibidoras de convulsões e que foram implantadas no cérebro de pacientes epilépticos com convulsões intratáveis, determinaram que após o transplante, houve uma redução de aproximadamente 40% na frequência do problema;
  • RECONSTRUÇÃO DE TECIDOS DANIFICADOS: Pesquisadores americanos isolaram um material retirado de uma parte do intestino dos suínos, constituído de colágeno, proteínas e fatores de crescimento. Aprovado pelo FDA (Food and Drug Administration - órgão do governo americano que regulamenta o uso de medicamentos) para uso em humanos, este material possui uma poderosa ação de reconstituir tecidos danificados (ROPPA,L.; 2001). Até o momento chegou-se à conclusão que esse tem eficácia contra ferimentos crônicos e incontinência urinária. Embora ainda não se saiba exatamente como estas substâncias atuam, tem-se como certo que aceleram o processo de cura. Então, a partir disso, vamos olhar para o suíno com outros olhos. Com olhos e com olhar de respeito e de companherismo nessa grande e desafiadora jornada que é a VIDA !