Suíno Come Fibra ?

   

Suíno Come Fibra ?

Prezados e Prezadas leitores. Hoje vamos falar um pouco sobre a alimentação de suínos. O que vocês acham, que suínos comem fibra? Se responderam que não, ERRARAM. Vocês verão abaixo o porquê e quando os suínos comem fibra dietética, em geral na forma de feno moído adicionado a ração. Então, vamos lá: a atividade zootécnica racional, objetivando o oferecimento de proteína de origem animal à população humana, depende da alimentação dos animais com dietas completas e complexas, baseadas principalmente em grãos e em suplementos proteicos de elevado valor biológico. Um fato extremamente relevante na produção animal, especialmente na de espécies como suínos, que não deve ser ignorado, é o grau de competição nutricional que diversas espécies apresentam em relação à espécie humana. Atualmente, a suinocultura apresenta um elevado grau de competição nutricional com o ser humano, sendo cerca de 75% das matérias primas diretamente utilizada na nutrição humana também são destinadas para a nutrição de suínos. A produção de cereais, principalmente no terceiro mundo, não é satisfatória de maneira a suprir a crescente demanda da população humana, lembrando que até 2030 chegaremos à 8 bilhões de habitantes no planeta Terra! Cerca de 25% da produção mundial de milho é consumido pôr humanos, sendo então a maior porção destinada à alimentação animal. Já em nosso país, mais de 40% do milho produzido é consumido pôr humanos devido ao elevado consumo de fubá, polenta, angu, canjica e maizena. Especialmente na alimentação de suínos e aves, são utilizadas significativas quantidades de cereais os quais constituem aproximadamente dois terços das rações destas espécies. Portanto, a competição pelas mesmas fontes energética e proteica resulta em um elevado custo de produção destas espécies, pois cerca de 60 a 85 % do custo total de produção é relativo ao custo com alimentação. Desta forma, neste momento em que a população mundial está em crescente aumento, e lembrando-se de que mais da metade da população humana ainda é inadequadamente alimentada, torna-se evidente que o futuro da nutrição e alimentação em especial de suínos, deva ser devidamente revisada, realizando estudos quanto a habilidade destes em utilizar alimentos alternativos como fonte de energia, os quais não sejam utilizados pelo homem e que apresentem menor custo para o produtor. Desta forma, observamos um particular interesse no estudo, bem como no desenvolvimento de pesquisas com enfoque em fontes alimentares alternativas na alimentação de suínos, pois em determinadas épocas do ano, e em especial em certas regiões fisiografias brasileiras existem disponibilidade de outros cereais e/ou subprodutos que constituem excelentes fontes alternativas frente ao cereal milho. As fontes alternativas de alimentos representam uma enorme variedade de subprodutos e resíduos de indústrias alimentícias, moendas e destilarias, além de produtos oriundos de práticas modernas de mecanização da agropecuária, sendo que alguns desses alimentos alternativos são ricos em proteína e/ou amido e outros, ricos em fibra dietética. Na verdade, a possibilidade de se utilizar ingredientes volumosos como fonte de fibra dietética na produção de suínos, não representa um novo conceito, pois já sendo teorizada por pesquisadores desde 1930.  Entretanto, o estudo sobre o potencial dos alimentos fibrosos utilizados na produção suína requer quantificação, identificação e medição das interações entre os efeitos causados pelo variável conteúdo de parede celular, existente entre os diversos alimentos e matérias primas fibrosas. Consequentemente, tais estudos são extremamente relevantes, pois podem direcionar adequadamente a produção suinícola, que além de se confrontar com a crescente competição com a alimentação humana e com a crescente demanda de mercado pôr carcaça suína com maiores rendimentos de carne magra e de cortes nobres, depara-se também com a baixa produtividade de reprodutoras suínas (marrãs e porcas) decorrente de inadequado manejo nutricional/alimentar, os quais resultam em quadro de obesidade para tais fêmeas. Embora animais como suínos, digiram e utilizem a fração fibrosa alimentar de forma menos eficiente do que os bovinos, a fibra dietética vem sendo considerada uma fonte viável de energia na alimentação desta espécie, principalmente para suínos destinados ao abate, e alimentados com tal fonte alternativa durante as fases de acabamento (engorda); para os machos reprodutores (varrões e cachaços); para as futuras reprodutoras em fase de crescimento (marrãs); bem como para fêmeas em fase inicial e mediana de gestação (porcas). Particularmente as suínas em pré-puberdade, puberdade e gestação necessitam ter seus pesos vivos controlados, evitando quadros de obesidade, permitindo deste modo, a preservação do adequado desempenho reprodutivo atual e futuro. É sabido que fêmeas que ganham muito peso e que acumulam grande quantidade de gordura subcutânea (espessura de toucinho) durante as fases de puberdade e gestação, apresentam sérios problemas durante o momento do parto, além de consumirem menos ração durante a lactação subsequente, promovendo assim, leitegadas com menor peso corporal pôr ocasião da desmama. Desta forma, a utilização de ingredientes fibrosos na ração de suínas pré-púberes, púberes e gestantes objetiva, além do controle de peso corporal das mesmas, a redução do estresse decorrente do confinamento e do oferecimento restrito de ração, o qual representa 50 a 60% do consumo voluntário da porca. O manejo alimentar relativo à restrição alimentar em diversas etapas fisiológicas das reprodutoras, é responsável pelo desencadeamento de constante sensação de fome pôr parte das fêmeas, que acabam desenvolvendo comportamento estereotipado, isto é, anomalias comportamentais, como agitação, agressividade, ações de depredação de instalações, entre outros.  É observado que os alimentos ou matérias primas ricas em fibra, pôr serem ingredientes volumosos, ativam mais rapidamente o centro de saciedade cerebral das suínas (através da dilatação das paredes do estômago), fazendo com que as fêmeas utilizem mais tempo ingerindo e digerindo a ração fibrosa, e menos tempo em condição de estresse devido à sensação de fome. Além disto, com a atual tendência mundial de não mais criar marrãs e fêmeas gestantes em gaiolas de contenção, e sim em baias coletivas, o oferecimento de ração fibrosa representaria um manejo nutricional alternativo e decisivo para a redução da disputa pôr alimento, uma vez que este tipo de ração poderia ser oferecido à vontade, já que a fibra dietética representa um elemento diluidor do nível energético da ração, não possibilitando desta forma um excessivo ganho de peso corporal. Portanto, o oferecimento de dieta fibrosa reduziria o custo de produção; melhoraria as características de carcaça e de carne, atualmente exigidas pelo mercado nacional e internacional; aumentaria a condição de bem-estar das suínas, condição indispensável para melhoria dos índices zootécnicos produtivo e reprodutivo desta categoria, bem como indispensável para uma criação mais racional e digna para os animais. Então, agora podemos dizer que SIM, os suínos comem e DEVEM comer fibra para seu bom desenvolvimento. Um bom final de semana a todos e vamos colocar a memória para funcionar e lembrar DAQUELA receita de nossos queridos entes para fazermos nesse final de semana que promete ser de temperaturas agradáveis e amenas. Saudações!