A morte em nós - Sacerdote Pai Luiz

   

Saudaes irmos e irms!

Nesta vspera de finados, gostaria de trazer uma pequena reflexo sobre o efeito da "morte" ou falecimento do corpo carnal, boa leitura!

A morte em ns

A morte nos coloca diante da mais simples verdade, a nica certeza absoluta que nem mesmo o ctico mais obstinado pode duvidar. A dor que nos dilacera nestes momentos no cabe em palavras e muitas vezes ultrapassa at mesmo o limite emocional de um ser. S nos resta senti-la, suport-la e manifest-la. O que dizer ao pai e me que perderam o(a) filho(a)? Como confortar o(a) filho(a) diante do falecimento do pai ou da me? O que falar aos que choram pela despedida de seus amores?
No fcil e costumo dizer que ningum aceita esse momento, com o tempo acostuma-se com a ausncia daquele que se foi, porm, por mais sincero que seja o que proferimos em tais circunstncias, no suficiente para aliviar a dor e ainda pode soar de certa maneira como mera formalidade.

O Criador conhecendo a criatura, fez da separao esprito-matria uma das mais ntimas experincias pela qual o ser humano possa passar e a morte, tambm elucidativa, ela ensina, mostra o quanto somos frgeis e explicita a efemeridade da vida. No podemos confiar no amanh, pois nada nos garante que estaremos vivos. No entanto, precisamos nos iludir, pois insuportvel imaginar a ausncia do ser no dia que segue. Assim, nos entregamos rotina e esta nos oferece uma espcie de segurana ontolgica. Precisamos acreditar que outro dia vir, que estaremos entre os nossos e eles estaro conosco. E isto ainda mais necessrio porque no se trata apenas da vida e morte do eu. No to difcil aceitar a prpria finitude, muito mais doloroso perder o outro que nos completa. At aceitamos a invitabilidade da morte do eu, mas dilacerante a experincia da partida dos que amamos. Talvez por isso tenhamos tantas dificuldades em pensar sobre a morte.

Muitas vezes este um assunto interdito, um tabu. Refletir sobre a morte , entre outros aspectos, reconhecer o quanto risvel a nossa presuno. Somos natureza, mas arrogantemente almejamos a eternidade. Ao vivermos como se eternos fossemos no percebemos o tempo precioso que se esvai a cada segundo. As coisas mais simples da vida, os detalhes que nos realizam em toda a plenitude do nosso ser so, muitas vezes, relegados ao plano secundrio. E assim esgotamos o tempo que temos com o superflo, a mesquinhez e a arrogncia. Ser que fazemos jus ao precioso tempo que nos oferecido a cada dia? Muitas vezes o que parece importante no o essencial.

"Viver a coisa mais rara, a maioria das pessoas apenas existe". Devemos valorizar cada segundo como se fosse o ltimo. O amanh um tempo que no nos pertence, se somos racionais, tambm podemos sonhar e somos seres dotados de emoes e sentimentos e a perda de quem amamos acaba tambm, por provocar a morte em ns. Porm, permanece a possibilidade de reincorporar. A memria do outro vive em mim, e se o sinto presente encontro foras para suportar a dor. No esquec-lo evitar a sua segunda morte e seguidas despedidas.

Na Religio Umbanda, a morte vista como o falecimento do corpo e algo natural, o retorno do ser a sua condioespiritualfazendo valer as mximas," morrendo para a carne que se nasce para o espirito" e "a morte um ato de vida". Embora esse processo seja demasiadamente dolorido para alguns, devemos nos lembrar que no um adeus e sim, um at logo e que acima de tudo, preciso perseverar e persistir, a vida continua e nos desafia a viv-la plenamente e merec-la, buscando honrar aqueles que j se foram da carne sem no entanto, deixar de ser orgulho para os que ficaram e os que ainda viro.

Um grande abrao fraterno!

Pai Luiz, Sacerdote Umbandista - Pirassununga.

* Presidente do T.U. Caboclo Tupinamb, Instituio Religiosa e Cultural sem fins lucrativos, fundada em 2001 e declarada de Utilidade Pblica Municipal em 2002.

* Sacerdote Umbandista, Empresrio, Iniciado e Pesquisador da Cultura Yorub.

* Canal Youtube do Templo Tupinamb: ttps://goo.gl/ZBNlci

* Facebook Templo Tupinamb:https://goo.gl/mtnLBa

* E-mail: contatoftupinamba@gmail.com