Terceirização provocará uma explosão de demandas judiciais

   

O Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB) aprovou parecer contrário ao Projeto de Lei 4.330/2004, que permite às empresas contratar trabalhadores terceirizados em qualquer ramo para execução de atividades-fim.

Segundo a entidade "o projeto é inconstitucional, porque quer, por vias transversas, burlar as garantias constitucionais dos trabalhadores" e alertou para as conseqüências judiciais que decorrerão da terceirização. "O Judiciário será o palco desta contenda, pois verificaremos uma explosão de demandas judiciais que se estenderá por anos a fio, em mais um capítulo da eterna luta entre capital e trabalho".

A terceirização fere o trabalhador da participação dos direitos e conquistas da categoria profissional à qual efetivamente pertence. Como exemplo prático, um metalúrgico que se torna empregado de uma empresa de fornecimento de mão-de-obra.

Nessa situação, o trabalhador fica impedido de se beneficiar das cláusulas das convenções coletivas de trabalho do Sindicato dos Metalúrgicos, porque, embora ele seja metalúrgico, o seu ramo econômico, em razão da atividade preponderante da sua empresa, passou a ser o de serviço, e não o da metalurgia.

A respeito das implicações da terceirização na Administração Pública direta e indireta, a relatora da entidade afirmou: "Talvez seja neste ramo de atividades que a questão seja mais nefasta". Concordando que, a partir da Constituição de 1988, todo o serviço público passou a ter suas admissões através de concurso, "golpeando mortalmente as grandes mazelas que o corroíam desde a época da monarquia, que eram o clientelismo e o nepotismo". 

Com a terceirização é no serviço público que, sem dúvida alguma, mais se verificarão abusos, recaindo em vícios históricos e a corrupção sob as mais diversas formas, desde a fraude à licitação até a contratação de parentes, amigos, confrades e cabos eleitorais, através de empresas interpostas. 

Em seu parecer, relatora foi taxativa ao afirmar que "neste sentido, o projeto, além de inadequado para disciplinar as relações de trabalho no âmbito da Administração Pública direta e indireta, conflita com a Constituição Federal, que, em seu artigo 37, inciso IV, admite como única forma de ingresso no serviço público a aprovação por meio de concurso público".

Vamos em frente !!!